Adelmo Jr.


(PT) Recentemente, Adelmo Jr. lançou a Plural Skateboards, sua própria marca de decks. Sabendo da nova fase que o Adelmo está vivendo, rapidamente o procurei para fazermos esta entrevista. É uma grande honra publicar as palavras de um dos skatistas mais respeitados e iluminados do cenário mundial aqui no site. Abram seus olhos e absorvam essa luz.

(EN) Recently, Adelmo Jr. released Plural Skateboards, his own brand of decks. Knowing about the new phase that Adelmo is living, I quickly looked for him so we could make this interview. Yeah, it’s a great honor to publish the words of one of the most respected and enlightened skaters in the global scene here at website. Open your eyes and absorb this light.

Interview by Marlon D. Oliveira.
Photographs by Ramon Ribeiro.

adelmo-jr-portrait-by-ramon-ribeiro-01(PT) Parabéns pela marca, Adelmo. Da hora a equipe! Eu acompanho os caras… Não tem o que falar, são muito criativos.

Valeu, Marlon. Obrigado! É… Verdade!

Essa ideia minha já vinha de um tempo, estava esperando a hora… Eu achava muito injusto eles não terem patrocínio de deck. Felipe (Oliveira) e Alison (Rosendo) são skatistas que eu gosto muito e “Arroiz” (Luis Moschioni) é um cara que eu conheci não há tanto tempo e também achei ele muito diferente. Ele tá preocupado com o skate na bela forma. Tem muita gente preocupada com a “marreta”. Você vê muitos moleques tentando Flip Crooked e não sabem nem dar um Ollie direito.

Eu não me inspiro em “combos” e “marretas” e acho que o skate tem que ir para esse lado mais belo mesmo… O que você falou é verdade!

Eu ando de skate há quase 30 anos e profissionalmente quase 20 anos. Existiram fases e em todas as fases eu aprendi bastante, só que hoje eu estou numa fase mais contente e de muita inspiração, não só pela forma que eu enxergo o skate, que não é de hoje e sim muitos anos…

A evolução no skate é cada vez mais transmitir algo bonito. Acho que sempre foi assim. Nos anos 80 foi assim, nos 90 ficou mais legal, só que infelizmente chegou uma hora que a galera começou esse negócio de contar. Então ficou muito nesse lado competitivo. Tamanho de gap, tamanho de borda. Entrou de Flip, saiu de Flip, saiu de 360°. Isso fez o skate perder um pouco da beleza. Teve o lado importante disso e ainda tem hoje… Só que eu acho que, de um tempo para cá, as pessoas começaram a dar uma atenção as coisas que talvez sejam mais simples, como você fazer uma linha no centro de uma cidade. Coisas assim que chamavam tanta atenção nos anos 80, linhas que ficaram famosas em São Fransciso, em Nova York, Paris ou mesmo em São Paulo (a gente tinha muito isso nos vídeos antigos, também nos primeiros vídeos nossos). É bonito ver isso, ver o centro da cidade, ver o cara “pedalando”. Teve uma hora que a galera nem “pedalava” mais, era só “marreta” atrás de “marreta” e você nem via o cara “pedalar”. E é bonito ver o cara “pedalar”. Você vê hoje nos vídeos, depois de uma manobra, vários segundos do que acontece depois da manobra ou mesmo antes. Eu acho que por um tempo o skate perdeu isso e eu acho que por isso estamos em uma fase nova muito bonita.

(EN) Congratulations on the brand, Adelmo. What a team! I follow the guys… There’s nothing to say, they are very creative.

Thanks, Marlon. Thank you! Yeah… It’s true!

This idea of mine had been coming for a while, I was waiting for the time… I thought it was too unfair that they didn’t have a deck sponsorship. Felipe (Oliveira) and Alison (Rosendo) are skaters that I really like and “Arroiz” (Luis Moschioni) is a dude I met not too long ago and also thought he was very different. He’s worried about skateboarding in a pretty shape. There’s too many people worried with the “hammer”. You see a lot of kids trying a Flip Crooked and they don’t even know how to Ollie right.

I’m not inspired by “combos” and “hammers” and I think that skateboarding has to go mor to that pretty side really… What you said is true!

I’ve been skating for almost 30 years and professionally for almost 20 years. There’s been sages and on all stages I learned a lot, only today I’m on a happier and full of inspiration stage, not only by the way a see skateboarding, which is not something from today but from many years…

The evolution on skateboarding is more and more to transmit something beautiful. I guess it has always been like this. In the 80’s it was like this, in the 90’s it got cooler, but unfortunately the time came when guys started this thing with counting. Then it went to this competitive side. Size of the gap, size of the edge. Got in with a Flip, got out with a Flip, got out with a 360. That made skateboarding loose a little of its beauty. There was the important side of this and there still is today… Only I think that, from a while back ’til now, people started to pay attention to things that maybe are simpler, like drawing a line in the center of a city. Things like that used to draw so much attention in the 80’s, lines that got famous in San Francisco, in New York, Paris, or even in São Paulo (we used to have that n the old videos, also in our first videos). It’s beautiful to see that, to see downtown, see the dude pushing. There was a time that guys do not push anymore, it was just “hammer” after “hammer” and you wouldn’t see a dude pushing. And it’s nice to see a guy push. You see in videos now, after a trick, many seconds of what happen after the trick or even before. I think that for a while skateboarding lost that and I think that because of that we are on a very beautiful and new stage.

adelmo-jr-by-ramon-ribeiro-02(PT) Quando você saiu da Organika Skateboards e quando decidiu ter sua própria marca de decks?

O pessoal da Kaio Corp. é como uma família que eu tive nos Estados Unidos, foram 12 anos andando para a Organika. Quando Karl Watson lançou a Organika, eu queria muito estar junto, porque eu gostava da ideologia, eu gostava da galera. Foi uma época que eu tava conhecendo a cultura da alimentação orgânica, do viver de forma orgânica. Então, quando lançou a marca com esse nome, eu falei “essa é a marca que eu quero estar”.

Nos últimos três anos que eu estava na Organika, teve muitas coisas que eram um pouco frustantes. Ela sempre teve um papél muito importante no mercado de skate, que era justamente trazer algo diferente. O time era bem único, pessoas de personalidades bem distintas e fortes. Mas chegou uma hora que ela começou a esquecer disso tudo e começou a ir para um lado que não tinha mais nada de Organika. Eu e Karl, no começo, a gente tentava de várias formas fazer algumas coisas e o dono principal deixou as ideias de lado por um tempo. Então aquilo foi um pouco frustante, porque você via marcas que eram bem mais novas, e que não tinham a identidade que a Organika tinha, querendo fazer as coisas com o maior carinho, querendo levar aquele estilo diferente de skate antes mesmo de todo esse “boom” das marcas independentes fazendo isso. E uma dessas marcas foi a Habitat Skateboards. A Habitat, mesmo sem ter toda essa identidade, fez decks de bamboo, decks de hemp, os vídeos, que trouxeram toda uma identidade para o skate. Essas eram ideias que a gente levava para a Organika e o dono não fazia. E isso foi passando, ano após ano, e chegou um momento – que foi há uns dois anos atrás – que eu já estava com a ideia da minha marca, só que eles anunciaram um vídeo. Então como anunciaram um vídeo, eu iria filmar para o vídeo e depois desse vídeo partir para a minha marca. Só que aí demorou, não saía nada e ao mesmo tempo eu via marcas independentes surgindo de uma forma muito legal – Polar, Palace, Isle, Lesque no Japão… -, marcas de skatistas que eu sempre admirei. Além de serem marcas de skatistas, foram marcas que vieram trazendo todo um novo tempero para o skate. Então, eu falei:acho que é o momento de sair da Organika e fazer isso. Era uma ideia que já estava na cabeça há muito tempo. O nome já estava na cabeça. E foi isso.

Você era a cara da Organika. Não tem como pensar na marca e não lembrar do Adelmo Jr. e do Karl Watson. Essa é a finalidade de uma marca: ter uma equipe de skatistas que transpareçam a essência. Infelizmente, isso foi perdendo, né?

Infelizmente, o mercado americano perdeu um pouco disso, que tanto eles criaram. Eu acho que quando o skate começou a crescer muito, eles começaram a enxergar números, muitas marcas, até mesmo as pequenas. E a partir do momento que você começa a enxergar números a frente da essência, você começa a deixar a essência de lado, porque a essência não traduz números na maioria dos casos. Então eles começaram a mudar a essência. Hoje, você vê diversas marcas – se eu começar a citar exemplos aqui, eu não vou parar – perdendo a essência. Conseguiram acabar com a Allien Workshop, que era uma marca das mais tradicionais de decks que já existiu até hoje. O pessoal conseguiu acabar justamente porque deixou a essência de lado e começou a introduzir pessoas para trazerem números e colocar em distribuidoras para trazerem números. E números e essência não combinam. Isso acaba indo para um lado perigoso, porque aquele momento de números tem um “boom” e depois passa. E quando ele passa, aqueles que gostavam pela essência, já não gostam mais e aí a marca acaba.

Nessas marcas que foram criadas agora de forma independete com essência e identidade muito fortes, você pode notar que elas tão com pensamentos orgânicos sobre as coisas, não fazem muitas séries de decks, muitos modelos de camisetas. São coisas muito limitadas, para quem gosta mesmo ter. As lojas que gostam, vão abraçar e vão ter os decks e as camisetas e os bonés dessas marcas. Se dez lojas abraçarem essas marcas, ou vinte ou quarenta, e abraçarem de uma forma consciente e quererem realmente promover essas marcas, é tudo que essas marcas precisam. Não precisam de mil e quinhentas lojas e ter quinhentos tipos de camisetas, porque dessa forma não tem como haver essência. Não tem como manter a essência. É impossível.

(EN) When did you leave Organika Skateboards and when did you decide to have your own brand of decks?

The guys at Kaio Corp. is like a family I had in the United States, it was 12 years riding for Organika. When Karl Watson released Organika, I really wanted to be together, because I liked the ideology, I liked the crew. It was a time when I was meeting the organic diet culture, the living organically culture. So, when the brand was released with that name, I said “this is the brand I wanna be with”.

In the last three months that I was in Organika, there were a few things that were a little frustrating. It always had a very important role in the skateboard market, which was exactly to bring something different. The team was very unique, people with very distinct and strong personalities. But came a time when it started to forget all that and started to go to a place that didn’t have anything of Organika. Me and Karl, in the beginning, we tried in many different ways to do some stuff and the main owner left the ideas aside for a while. So that was a little frustrating, because you saw brands that were way younger, and that didn’t have the identity Organika had, trying to do things with the utmost affection, wanting to bring that different style of skating even before all this “boom” of independent brands doing it. And one of those brands was Habitat Skateboards. Habitat, even without having all this identity, made bamboo decks, hemp decks, the videos, that brought a whole identity to skateboarding. These were ideas we used to bring to Organika and the owner didn’t do. And this went on and on, year after year, and a moment came – which was like two years ago – when I already had the idea of my brand, but they announced a video. So since they announced a video, I would shoot for the video and after that one I’d leave to my own brand. But then it took a long time, nothing came out and at the same time I’d see independent brands coming in a very cool way – Polar, Palace, Isle, Lesque in Japan… -, brands from skaters that I always admired. Aside from being brands of skaters, they were brands that came over with a whole new spice to skateboarding. So, I said: I think it’s time to leave Organika and do this. It was an idea that was already in my head for a long time. The name was already in my head. And that was it.

You were the face from Organika. It’s impossible not to think of the brand and remember Adelmo Jr. and Karl Wetson. That is the goal of a brand: having a crew of skaters that transpire the essence. Unfortunately, that started to lose, right?

Unfortunately, the american market lost a little bit of that, which they created so much. I think that when skateboarding started to grow a lot, they began to see numbers, lots of brands, even the small ones. And from the moment you start to see numbers before the essence, you start to leave the essence aside, because it doesn’t translate numbers in most cases. So they began to change the essence. Nowadays, you see a number of brands – if I start to give examples here, I won’t stop – loosing the essence. They managed to finish Allien Workshop, which was one of the most traditional deck brand that ever existed ’til today. They managed to finish all that exactly because they left the essence aside and started to introduce people to bring numbers. And numbers and essence don’t match. This ends up in a dangerous place, because that moment of numbers has a “boom” and then it fades. And when it fades, those who enjoyed it for the essence, don’t enjoy it anymore and the brand ends.

In these brands that were created now in an independent way with very strong essence and identity, you can notice that they have organic thoughts about things, they don’t do lots of deck series, lots of shirt models. These are very limited, for who really like to have it. The stores like it, they’re going to embrace and they’re gonna have the shapes and the shirts and the caps of these brands. If ten stores embrace these brands, ou twenty or forty, and embrace it in a conscious way and really promote these brands, it’s all they need. They don’t need fifteen hundred stores with a thousand types of shirts, because that way there’s no way to exist essence. You can’t maintain the essence. It’s impossible.

adelmo-jr-by-ramon-ribeiro-03(PT) Você chamou alguns dos skatistas amadores mais criativos da cena brasileira – Felipe Oliveira, Alison Rosendo e Luis ‘Arroiz’ Moschioni – para representarem a Plural Skateboards. É esse o conceito que você quer implantar na sua marca: um skate mais livre e inovador?

Para mim, o nome da marca representa muito o que é o skate: é uma pluralidade com a singularidade de cada um. Minha ideia foi ter pessoas muito únicas. O Felipe eu acho uma pessoa muito única no que ele faz, Alison mesma coisa, ele é muito único. Quando eu conheci o ‘Arroiz’, mesma coisa… Vai ter logo mais skatistas que são diferentes deles, mas uma preocupação da Plural Skateboards vai ser sempre essa: ter pessoas que sejam muito únicas e criativas.

Quais serão os cuidados com os gráficos da Plural Skateboards?

Se preocupar com o que diz o gráfico, o que o gráfico representa. Eu posso colocar qualquer coisa em uma camiseta ou um deck para vender, mas precisa ter algum significado aquilo que vai estar na camiseta ou no deck. A ideia é colocar belas artes. Os decks de skate são realmente peças de arte.

O que o primeiro gráfico da Plural Skateboards representa?

Rastafari é uma inspiração continua na minha vida, em tudo o que eu faço, e a pluralidade de Rastafari e sua Imperatriz é muito importante porque é um balanço natural muito belo, a forma como eles se apresentavam, a forma como eles sempre falavam um do outro. Essa pluralidade do homem e da mulher, esse balanço de forma plural do começo e do fim, do Alpha e do Omega, dos opostos, são uma pluralidade perfeita. O primeiro gráfico representa isso. Não podia ser outro. Mas vão vir vários, logo mais.

Quais os planos futuros?

Continuar e compartilhar toda essa ideologia, toda essa pluralidade que o skate transmite. Em breve vai ter um Pro novo sendo anunciado, antes do vídeo, que eu acho que a galera vai curtir muito. É isso. Ir somando, ir acrescentado. Mais artes nos decks. Em 2016 vai sair um vídeo que se chama Singular. E uma preocupação do vídeo é justamento isso: mostrar a singularidade de cada um, sem deixar de lado, claro, os protocolos do skate: tudo tem que ser feito de uma forma muito bem feita. Até nos decks eu tive essa preocupação de fazer na melhor fábrica que existe, com o melhor maple. Eu nunca faria deck chinês para ter preço baixo porque eu acho que não é um deck tão bom. Então isso tudo vai continuar. Artes que inspiram a mim, que inspiram a todos que andam para a marca, a peculariedade de cada um sendo sempre mostrada na marca.

(EN) You called some of the mos creative amateur skaters from the Brazilian scene – Felipe Oliveira, Alison Rosendo e Luis ‘Arroiz’ Moschioni – to represente Plural Skateboards. Is that the concept you wanna install in your brand: a freer and most innovative skating?

To me, the name of the brand represents a lot what skate is: a plurality with the singularity of each one. My idea is to have very unique people. I think Felipe is a very unique person in what he does, Alison the same, he’s very unique. When I met ‘Arroiz’, same thing… Soon there will be more skaters that are different from them, but Plural Skateboards’ concern will always be this: having people that are unique and creative.

Which will be the concerns with the graphics from Plural Skateboards?

Being concerned with what the graphic says, what the graphic represents. I can put anything in a T-shirt or a deck to sell it, but it has to have some meaning to that which will be on the T-shirt or the deck. The idea is to put beautiful arts. The skate decks are really pieces of art.

What does the first graphic from Plural Skateboards represent?

Rastafari is a constant inspiration in my life, in everything I do, and the plurality of Rastafarian and its Empress is very important because it’s a very beautiful natural balance, the way they presented themselves, the way they always talked about each other. That plurality of man and woman, this balance in a plural way from beginning to end, of Alpha and Omega, of the opposites, are a perfect plurality. The first graphic represents that. It couldn’t be another. But more will come, soon.

What are the future plans?

To keep going and to share all this ideology, all this plurality that skateboarding transmits. Soon there will be a new Pro being announced, before the video, which I think the crowd will enjoy very much. That’s it. Keep adding, keep bringing something to the table. More arts on the decks. In 2016 a video will come out called Singular. And one of the concerns of the video is just that: showing the singularity of each one, without leaving aside, of course, the protocols of skateboarding: everything has to be done in a very well-made way. Even on the decks I had this concern of making it in the best factory that exists, with the best maple. I would never make a chinese deck to have a low price because I think it’s not that good of a deck. So all that will continue. Arts that inspire me, that inspire everyone that ride for the brand, the peculiarity of each one always being showcased in the brand.

plural-skate-graphic-04(PT) Vai ter deck com arte do Felipe Oliveira?

Vai. Já que você perguntou… Vão estar saindo três novos gráficos logo mais e um dos gráficos é um collab Plural Skateboards x Look Dat Shit. Eu gosto muito dele como artista também. Isso foi algo que logo no começo eu falei, que gostaria de ter um deck com a arte dele, antes mesmo dele passar para Pro.

Bacana. Ele tem evoluído muito, tá muito legal os desenhos dele.

Muito. Muito legal e muito único. Eu não consigo enxergar trabalhos parecidos com a arte dele.

Agora você tá morando aqui no Brasil, em Aracajú, definitivamente?

Eu estou no Brasil, mas esse ano foi até engraçado. Mesmo eu não morando nos Estados Unidos e viajando de lá para tantos lugares (como já fiz antes gravando para vídeos), eu nunca viajei tanto como esse ano. Nesse ano, viajei quase 20-25 dias por mês. Eu passei mais tempo viajando do que em Aracajú, mas a base agora é aqui. Tenho ido para a Califórnia quase todos meses, fico uns 10-15 dias porque ainda tenho um vínculo. Foram 14 anos morando na Califórnia. Mas é bom estar de volta em Aracajú com a base, é saudável também.

Hoje em dia, a gente tem bons videomakers, bons fotógrafos, bons editores, a gente tem boas mídias, boas revistas, bons videos saindo… Então tem muita coisa para fazer aqui no Brasil, claro que nos Estados Unidos tem todo o lado profissional, muita coisa acontecendo, mas o Brasil tem esse lado muito forte também.

(EN) Is there going to be a deck with an art from Felipe Oliveira?

Yes. Since you asked… There will be three new graphics soon and one of the graphics is a collab of Plural Skateboards x Look Dat Shit. I really like him as an artist too. That was something that right on the beginning I said I’d like to have a deck with an art of his, even before he went to Pro.

Cool. He has evolved a lot, his drawings are really cool right now.

Really. Really cool and unique. I can’t see jobs that look like his art.

Now you’re living in Brazil, in Aracajú, permanently?

I’m in Brazil, but it was even funny this year. Even not living in the United States and traveling from there to so many places (like I did before shooting for videos), I never traveled as much as this year. This year, I traveled almost 20-25 days a month. I spent more time traveling that in Aracajú, but the basis is here now. I have been going to California almost every month, I tay for 10-15 days because I still have a connection. It was 14 years living in California. But it’s good to be back in Aracajú as my home base, it’s healthy too.

Nowadays, we have good videomakers, good photographers, good editors, we have good media, good magazines, good videos coming out… So there’s a lot to do here in Brazil, of course that in the United States there’s this whole professional side, lots of things happening, but Brazil has this side very strong also.

adelmo-jr-by-ramon-ribeiro-05(PT) Qual a tua visão em relação a crise brasileira, em relação as marcas importadas que estão perdendo força e o atual momento das marcas brasileiras?

Eu acho que essas crises servem para melhorar muitas coisas no mercado, os usurpadores vão começar a sair porque eles não vão ver os grandes números. São bons momentos para marcas menores, para marcas independetes surgirem e terem mais força.

No Brasil, falta um pouco de uma educação do lojista, de valorizar mais as marcas dos skatistas e ter a preocupação de vender as marcas menores. Eu acho que os lojistas ainda hoje buscam preços e, geralmente, os grandes produtores (muitos esses que nem são do meio do skate), por terem muito dinheiro envolvido, conseguem baixar os preços, vender mais e atingir mais pontos de venda. Só que eu acho que tem mudado também. Tem muito lojista hoje que é skatista, então esses, claro, querem ter as marcas de skatistas na linha de frente das lojas. E isso só vai ajudar quem realmente faz pelo skate. É uma conscientização que tá surgindo, mas precisa ser cada vez mais presente. Tem que olhar de onde vem a marca, quem faz a marca, o que essa marca tem feito pelos skatistas. Você vê ainda hoje várias marcas que estão no skate mas não tem um profissional na marca, marcas de deck só com silk. Sem dúvida, é difícil você ter profissionais envolvidos porque o profissional vai exigir certas coisas. Mas é um protocolo, sabe? É um dos protocolos do skate. Isso é muito importante. Já que é uma marca de skate, tem que ter um skatista profissional, tem que ter profissionalismo. Tem muitos profissionais aí que tão sem patrocínio – e muitos amadores também. Então ter uma marca que não tem um profissional na equipe, eu acho inadimissível. Porque além dos profissionais precisarem das marcas, as marcas precisam dos profissionais.

Infelizmente, como eu falei, tem lojas que ainda vão continuar comprando essas marcas porque tem deck mais barato, rodas mais baratas. Mas tá mudando. Eu acredito que vai mudar cada vez mais. O mercado tá cada vez mais se direcionando para os skatistas. É natural, isso aí tem que acontecer. Por exemplo: Eu gosto de música, mas eu não sei fazer música. Eu não tive o aprendizado da música desde pequeno. Eu toco os meus discos em alguns lugares mas eu não vivi a música, eu não sei produzir um disco. Eu acho que quem produz um disco é aquele cara que estudou a música, que viveu a música, e isso tem que ser respeitado. No skate, ainda tem pessoas que produzem o skate mas que não viveram o skate, que não estão dentro do skate. Só que isso naturalmente vai mudar, vai mudar pouco a pouco e vai chegar uma hora que vai ser nosso, o que é de direito, né!? É de direito ser nosso! Fico muito feliz em ver novas mídias surgindo, como a sua, pessoas do skate fazendo as marcas de deck, as marcas de trucks, rodas. Isso é muito legal, porque é nosso. A gente viveu 10, 20, 30 anos isso, então é nosso de direito.

Com certeza será nosso…

Eu tinha minhas anotações aqui e acho que já falamos sobre tudo. Você quer deixar uma mensagem?

Quero falar para os irmãos que a gente não precisa esperar muito de ninguém ou de marcas ou de outras pessoas e pensar que as coisas estão longe. Eu acho que a gente pode fazer tudo. A gente sempre andou de skate com amigos que crescemos juntos e esses amigos podem ter uma marca do que quiserem: de camisetas, decks, rodas… Só é preciso se informar mais, ter uma preocupação de saber como é a criação, como tudo é feito dentro do skate. Até a produção dos vídeos… Tem muita gente que sonha em aparecer no vídeo tal e, as vezes, com uma câmera e um amigo dá para fazer muita coisa legal. Eu tenho visto muitos vídeos independentes ultimamente e isso é muito legal porque a gente realmente não precisa ficar esperando por ninguém para fazer as coisas. Isso é uma coisa que me deixa muito inspirado mesmo, toda essa cena independente que eu tenho visto no skate. Ir em Nova York e ver um cara que tem uma marquinha de casa mesmo, onde ele imprime as camisetas dele. Aí você vê isso no nordeste do Brasil, na Ásia, na Europa… E isso tudo só faz crescer o skate, faz crescer todo esse movimento underground que sempre foi o skate. Claro, a gente passou por diversas transformações, algumas boas e algumas ruins, só que ciclicamente o skate tá voltando para esse negócio do “faça você mesmo” e eu acho isso muito legal. Uma coisa que eu posso falar para todos é que mantenham essa chama do “faça você mesmo” acesa. Faça você mesmo os picos perto da sua casa, não espere prefeitura, governo para fazer uma skatepark. Incremente a praça você mesmo. Faça você mesmo uma marca se quiser.

(EN) What are your thoughts on the Brazilian crisis, regarding foreign brands that are loosing strength and the actual moment of Brazilian brands?

I think that theses crisis are good to improve a lot of things in the market, the usurpers will start to leave because they will not see the big numbers. These are good times for smaller brands, for independent brands to come out and have more strength.

In Brazil, shop owners lack a little bit of education, lack of appreciation for skater brands, and they are not concerned about selling smaller brands. I think that shop owners even today are still looking for prices and, usually, the big manufacturers (many of which aren’t even from the skate scene), since there’s a lot of money involved, manage to lower the prices, sell more and reach more selling points. But I also think it’s changing too. Lots of shop owners today are skaters, so these, of course, want to have skater brands on the frontline of the stores. That will only help who really does it for the skate. It’s an awareness that’s coming up, but it need to be more and more present. You gotta where that brand is from, who did it, what has this brand been doing for skaters. You still see it today, many brands that are into skate but don’t have one single professional in the brand, deck brands only with silk. No doubt, it’s hard to have professionals involved because the professional will demand certain things. But it’s a protocol, you know? It’s one of the protocols of skate. This is very important. Since it’s a skate brand, it has to have a professional skater, it has to have professionalism. There’s many professionals around that have no sponsorship – and many amateurs too. So having a brand that doesn’t have one professional on the team, i think it’s not acceptable. Because the professionals need the brands, but the brands also need the professionals.

Unfortunately, like I said, there are stores that will keep buying these brands because they have cheaper decks, cheaper wheels. But it’s all changing. I believe it will change more and more. The market is increasingly turning towards the skaters. It’s natural, this has to happen. For example: I like music, but I don’t know how to make music. I didn’t learn music since I was little. I play my records in some places but I never lived the music, I don’t know how to make a record. I think who produces records is that guy that studied music, that lived music, and this has to be respected. In skateboarding, there’s still people who manufacture the skateboard but didn’t live skateboarding, people that are not inside skateboarding. But that will naturally change, it will change little by little and in time will be ours, what is rightful, right!? It is rightfully ours! I’m very happy to see new medias coming up, like yours, people from skateboarding making deck brands, trucks brands, wheels. This is all very cool, because it’s ours. We live 10, 20 30 years of that, so it’s rightfully ours.

It will be ours for sure…

I had my notes here and I think we talked about everything. You wanna leave a message?

I wanna say to my brothers that we don’t need to expect a lot from somebody or from brands or from other people and think that things are far away. I think that we can make everything. We always skated with friends we grew up with and these friends can have a brand of what they want: T-shirts, decks, wheels… You just to be more informed, to have a concern with knowing how is the creation, how everything is made inside of skateboarding. Even the video productions… Lots of people dream of appearing on that video and, sometimes, with a camera and a friend you can make a lot of cool stuff. I have been seeing lots of independent videos lately and that is very cool because we really don’t need to be waiting for somebody to do things. This is something that really inspires me, all this independent scene I’ve been seeing on skateboarding. Going to New York and watching a guy that has a small and truly homemade brand, where he prints his shirts. Then you go to the northeast of Brazil, in Asia, in Europe… And all that only makes skateboarding grow, it makes this underground movement that has always been skate grow. Of course, we have been through several transformations, some good and some bad, but in a cycle skate is coming back to that “do it yourself” thing and I think that’s very cool. One thing I can say to everyone is to maintain this “do it yourself” flame alive. Do yourself the spots near your house, don’t wait for the mayor’s office, government to build a skatepark. Increment the park yourself. Make your own brand if you want to.

adelmo-jr-by-ramon-ribeiro-06


___
___

RELATED ARTICLES