Felipe Oliveira


(PT) Com seu skate, seu caderno de desenho e sua máquina de tatuar, Felipe Oliveira conquista todo mundo por onde passa. Mas, além de suas habilidades criativas, o jovem skatista baiano possui outras virtudes raras, que impressiona e inspira quem tem o privilégio de conhecê-lo um pouco melhor.

(EN) With his skateboard, his sketchbook and his tattoo machine, Felipe Oliveira conquers everyone where he goes to. But, beyond his creative abilities, the young skater from Bahia has other rare virtues, that impress and inspire anyone who has the privilege of knowing him a little better.

Interview by Marlon D. Oliveira.
Photographs by Frederico Vegele.

oye-felipe-oliveira-interview-photo-by-fred-vegele-01(PT) Fala, Felipe… Eu nem vou perguntar se tá tudo bem, porque já sei a resposta. Sua alegria contagia, mano!

Eu tô sempre de boa mesmo… Viajando e andando de skate, tem que tá, no mínimo, de boa. Andar de skate e ser estressado, acho que não é o caminho.

Como foram suas viagens ao Rio de Janeiro, onde foram feitas as fotos que ilustram nossa entrevista?

É muito louco lá. Tinha ido no final do ano passado, na tour da Converse, mas foram só dois dias. Nem deu pra conhecer nada. Nessas últimas vezes deu pra ficar mais tempo, fazer mais rolês.

Cara, me explica o quê significa #FériasParaSempre – frase que você usa frequentemente em seus posts nas redes sociais.

Sei lá, velho… É só um nome pra essa vida de skatista, essa vida de todos nós. É o nosso trampo, mas o bagulho é mais férias do que trampo. É tanto prazer que o cara nem considera que tá trabalhando. Pra mim, tá viajando é tá sempre de férias. Quem não anda de skate, não entende nada, hahaha.

O skate proporciona isso, né?

Sim, claro. A gente aprende a viver assim: de boa, desencanado, nesse estilo férias. Conciliando o trampo do skateboard que não é nada, que já é “férias”, e aproveitando todas as trips, aproveitando tudo. É foda, o skate proporcionou mesmo essas coisas.

(EN) Hey Felipe, I’m not asking if everything is fine, because I already know the answer. Your joy is contagious man!

I’m always good man… Traveling or skating, you gotta be, at least, ok. Skating and being stressed, I don’t think that’s the way.

How were your trips to Rio de Janeiro, where were the photographs that illustrate our interview taken?

It’s very crazy there. I had been there at the end of last year, on the Converse tour, but only for two days. I didn’t get to know anything. These last few times I was able to stay longer, to skate more.

Dude, explain to me what does “Férias Para Sempre” (Vacation Forever) mean – a sentence you frequently use when posting on social media.

I don’t know man… It’s just a name for this skate life, this life that we all have. It’s our job, but this thing is more like a vacation than work. It’s so much of a pleasure that you don’t even consider it work. For me, to be traveling is to be always on vacation. Who doesn’t skate doesn’t get it, hahaha.

Skateboarding provides that, right?

Yeah, sure. We learn to live like that: always good, not worried, this vacation style. Balancing your work with skateboarding which is nothing, which is already “vacation”, and enjoying all the trips, enjoying everything. It’s crazy, skateboarding has really provided me those things.

oye-felipe-oliveira-interview-photo-by-fred-vegele-02(PT) Lembro das suas idas à Porto Alegre, há uns quatro ou cinco anos atrás, foi quando conheci você. Desde então você mudou muito.

Eu fui crescendo. Aquelas foram as primeiras trips que eu fiz. Sair do Nordeste e ir pro Rio Grande do Sul é uma mudança muito grande. Foram as trips que eu aprendi muita coisa. Eu era bem novo, sei lá, 15 anos, 16… Agora tenho 21. Acho que é a fase que mais mudamos mesmo: dos 15 aos 20.

Naquela época, você já tinha muito domínio do skate, eu via você fazendo alguns combos. Mas eram manobras que eu conseguia entender, diferente dessas de agora. Você inventa umas manobras com uma facilidade inacreditável.

Quando eu era moleque eu encarnei mesmo em aprender várias coisas. E até hoje eu curto fazer o máximo de coisas que dá e depois eu transformo. Tenho tentado misturar as ideias com as coisas que já existem, mesclar o máximo de coisas que dá pra fazer com o skate, como uma ferramenta mesmo, um malabare. Mas não é que eu inventei, não tem nem como dizer isso, já foi feita tanta coisa no skate, tanta coisa que nem foi vista ainda e com certeza já aconteceu também.

Como que começou a surgir essas ideias de manobras que ninguém faz?

Essa mutação veio junto com várias coisas. Eu me cobrava muito quando era moleque, assim de fazer os bagulhos legais e tal, e daí eu vi que não era bem esse o intuito do skate, que não tinha que se cobrar. Você tem que tá sempre tranquilo pra ele fluir bem. O skate faz parte de você.

Quando eu comecei a entender que tinha que ser assim, eu fui moldando meu skate, fui fazendo mais o que eu queria. Independente de tricks, eu queria só testar o skateboard como eu tenho testado mais várias coisas na vida. Cada vez tenho feito mais coisas: tô tatuando, desenhando, várias coisas… Eu fui moldando essas coisas junto com o skate. Ainda tô. E acho que vai ser cada vez mais assim, quero testar mais as coisas da vida, não só o skate. 

(EN) I remember your visits to Porto Alegre, like four or five years ago, that was when I met you. Have you changed a lot since then?

I’ve been growing. Those were the first trips that I did. Coming from the Northeast to Rio Grande do Sul is a very big change. Those were trips where I learned a lot. I was pretty young, 15, 16… Now I’m 21. I think it’s a period where you change the most really: from 15 to 20.

Back then, you already had a lot of control of your skate, I saw you doing some combos. But those were tricks that I could understand, different from those of nowadays. You create tricks with such ease.

When I was a kid I really got into learning lots of stuff. And even nowadays I enjoy doing as much as I can and then I transform. I’ve been trying to blend ideas with things that already exist, blend the highest number of things that I can do with a skateboard, as a tool really, like juggling. But it’s not like I invented it, you can’t say that, so much has been created skatewise, so much wasn’t even seen yet and has already happened for sure.

How did you start to come up with the ideas for these tricks that nobody does?

This mutation came together with lots of things. I used to be hard on myself when I was a kid, like to do cool stuff and all, and then I saw that the intent of skateboarding is not really that. You shouldn’t be so hard on yourself. You have to always be calm in order to flow. The skateboard is a part of you.

When I started to understand that it had to be this way, I started to shape my skating, I started to do more of what I wanted. Regardless of tricks, I just wanted to test the skate like I had tested a variety of things in life. Every day I’ve been doing more things: I’m tattooing, drawing, a lot of things… I started to shape these things together with skate. I still am. And I think it’s gonna be more and more like that, I want to try more things in life, not just in skateboarding.

oye-felipe-oliveira-interview-photo-by-fred-vegele-03(PT) Sobre as tatuagens, mano… Quando você começou a tatuar? Como aconteceu?

Tenho um amigo do colégio que o pai dele é tatuador, e desde o colégio ele já tinha uma tattoo (uma caveira no braço), tipo o único moleque da escola que tinha uma tattoo. Eu tive que ser amigo dele porque eu andava de skate e ele era o mais próximo de mim. Em Salvador, nem todo mundo entendia algumas coisas, tipo andar de skate, viajar para andar de skate e não ir para a escola, ficar uma semana fora. A galera não conseguia entender muito e esse meu amigo sempre entendeu, sempre curtiu. Independente dele nunca ter andado de skate, ele sempre deu maior valor, perguntava os bagulhos, sempre foi muito interessado. Então a gente tinha essa troca de ideias, ele tinha o pai tatuador e eu sempre gostei de desenhar. E foi por causa desse amigo que eu fiz minha primeira tattoo e fui conhecendo mais.

Desde essa época, eu já colava nuns estúdios de amigos só pra ver as tattoos mesmo. Esses amigos me botaram uma pilha, me deram umas dicas básicas. Então eu “meti o louco” mesmo. Eu fiz as primeiras ainda sem ter minha máquina, depois ganhei uma, agora comprei outra mais legal. Já fazem dois anos, nem eu acredito, haha. Tá cada vez mais da hora.

Nessa época, você já desejava tatuar suas próprias ilustrações?

Esses meus amigos, que botaram uma pilha pra eu tatuar, falavam que eu tinha que fazer com os meus desenhos. E eu só tatuaria se fosse assim, porque eu acho muito difícil fazer o desenho de outra pessoa. Eu não conseguiria mesmo, porque tem a personalidade da pessoa no bagulho. Então não dá pra eu tentar reproduzir, saca? Prefiro fazer meus desenhos, que eu já conheço e sempre agrada a galera. Tá cada vez mais louco, a galera tá cada vez querendo mais os desenhos meus, estão aceitando os desenhos que já estão prontos, sem pedir mudanças. É muito louco poder trampar assim: fazendo o que você quer. É a mesma coisa que andar de skate, só fazendo o que você quer.

Se for pra usar seu tempo, sua força toda, use para fazer o bagulho que você mais quer, porque vai dar certo!

(PT) About the tattoos man… When did you start it? How did it happen?

I had a friend from school whose father was a tattoo artist, and since then he already had a tattoo (a skull on his arm), like, the only kid at school who had a tattoo. I had to be his friend because I skated and he was the closest thing to me. In Salvador, not everybody understood certain things, like skating, traveling around to skate and not go to school, staying away for a week. People couldn’t understand very much and this friend of mine always did, always liked it. Even though he never skated, he always gave me a lot of value, asked about stuff, he was always very interested. So we had this exchange of ideas, he had the tattoo artist father and I always enjoyed drawing. And it was because of this friend that a did my first tattoo and started to know more about it.

Since then, I used to go to tattoo shops of friends just to see the tattoos really. These friends put me up to it, gave me a few basic tips. Then I went crazy with it. I did the first ones without having my own machine, then I got one, and now I bought one even cooler. It’s been two years, even I don’t believe it, haha. Every time it gets better.

At this point you wish to tattoo your own illustrations?

These friends of mine, they put me up to it, they said I had to do it with my drawings. I would only tattoo if it was like that, because I think it’s very hard to do someone else’s drawing. I wouldn’t be able to do it, really, cuz there’s this other person’s personality in it. So I can not try to reproduce it, you know? I would rather do my drawings, which I already know and that always please people. It’s getting crazier every time, people are always wanting more drawings from me, they’re accepting the drawings that are ready, without change. It’s so crazy to be able to work like that: doing what you want. It’s the same as skating, just doing what you want.

If you have to use your time, your whole strength, use it to do the thing that you most want, cuz it’s gonna work!

oye-felipe-oliveira-interview-tattoo-photo-by-fred-vegele-04(PT) Sobre seus amigos, seus irmãos de diferentes mães: eu tô ligado que um ajuda o outro, até mesmo bancando um rango, uma trip, etc., sem cobranças futuras. Vocês percebem que isso é algo muito raro no mundo que vivemos?

Aham, claro. A gente percebeu que tinha que tá junto justamente por causa disso. Quando eu conheci o Kodai e o Talisson, eu tava em SP sem lugar pra ficar e do nada os moleques apareceram. Eu tava um dia na rua com a mochila nas costas – porque tinha saído da casa onde eu tava e não tinha lugar pra ficar – e trombei os moleques no rolê e foi assim que a gente se conheceu. Aí eu fiquei morando na casa deles um tempão. Aí um ano depois, o Kodai morou em Salvador na minha casa. Depois eu morei na casa dele de novo. Aí a gente foi fazendo umas trips junto. Não tem nem como cobrar nada.

Nessa época que eu morei na casa do Kodai e do Talison, quando eles moravam juntos, eu não tinha os patrôs ainda, não tinha grana, não tinha nada. Eles tinham a casa, eles trabalhavam e andavam de skate. Era uma troca: um pouco do material que eu tinha, os bagulhos que eu ganhava, eu dividia com eles. E eles faziam os corres de rango pra casa. Era sempre essa troca. E a gente sempre vestiu igual, calçava os boots iguais, então era tudo compartilhado na casa, desde sempre, desde que a gente começou a morar junto. Depois a gente conheceu o Arroiz (Luis Moschioni)… E é foda, porque os moleques tem os mesmos tamanhos, vestem as mesmas roupas, é tudo de todo mundo, é impressionante. Quando um tem grana e nenhum outro tem, o bagulho dá certo, quando ninguém tem, também dá, haha. Quando a gente tá junto, viaja junto. A união é forte demais. Não tem treta. Às vezes, não dá nem pra entender.

(EN) About your friends, you’re brothers from different mothers: I know that one helps the other, even by paying for a meal, a trip, etc., no charging in the future. Do you realize that this is something really rare in the world we live in?

Yeah, sure. We realized that we had to be together exactly for that. When I met Kodai and Talisson, I was in São Paulo without a place to crash and out of nowhere them dudes come around. I was on the street someday with my backpack – cuz I had left the house where I was and didn’t have a place to stay – and I found the guys on a skate session and that’s how we met. Then I moved in with them for a long while. One year later, Kodai lived in Salvador at my house. Then I lived at his house again. Then we started to travel together. You just can’t charge anything.

At that time I lived in Kodai and Talisson’s house, I didn’t have any sponsors yet, had no money, I had nothing. They had a house, they worked and skated. It was an exchange: some skate parts I had, the things I would get, I shared with them. And they bought food. It was always like that. And we were the same size, so everything was shared in the house, since always, since we started living together. Then we met Arroiz (Luis Moschioni)… and it’s crazy, because the guys wear the same size, the same clothes, and everything is everybody’s, it’s impressive. When someone has money and no one else does, it works out, when nobody has money, it works out too, haha. When we are together, travel together. The connection is too strong. There’s no pickering. Sometimes you can’t even understand it.

oye-felipe-oliveira-interview-photo-by-fred-vegele-05(PT) Todos andam de skate, mas além do skate, o que mais conecta vocês?

De tomar tanta patada por ser do nordeste – eu, Kodai e Talison -, quando moramos em São Paulo, percebemos que só tando junto pra dá certo. Temos que andar juntos, de braços dados, que o bagulho vira, a energia fica forte mesmo.

É inevitável não falar do Adelmo Jr, que olhou para você e chamou você para fazer parte de sua marca, a Plural Skate. Para mim, ele é tipo um mestre e para você? Ele é o boss, o parceiro de equipe, ou apenas o amigo “Rasta”?

Pra mim, o rótulo que ele tem é “Adelmo” mesmo. Não tem outro rótulo. O cara é único. Presença única. Força única. É muito cabreiro tá junto. Todo mundo acreditando na marca, mesmo não ganhando porra nenhuma ainda, tá todo mundo no corre, bem underground. Você vê que o Adelmo saiu de vários outros trampos importantíssimos, onde ele já estava há vários anos, pra fazer esse bagulho com moleques que não tão nem aí pra nada, haha. O cara acredita muito e se um cara desses acredita, não tem como eu não acreditar, não tem como a gente não tá junto, tá ligado? O Chupeta (Fabio Cristiano) e o Adelmo no time, porque a gente não vai acreditar? Os caras são os mestres do Brasa. A gente não sabe de nada, estamos só zoando aí, haha.

(EN) Everybody skates, but beyond skate, what connects you the most?

From getting stumped because we’re Northeastern – me, Kodai and Talisson -, when we lived in São Paulo, we realized that only being together it can work out. We have to ride together, in arms, and things will work out, the energy gets stronger.

It’s inevitable not to talk about Adelmo Jr, who looked at you and called you to be part of his brand, Plural Skate. To me, he is like a master, and to you? He is the boss, the teammate, or just the “Rasta” friend?

To me, the label he has is “Adelmo” actually. There’s no other label. The guy is unique. A unique presence. A unique force. It’s so good to be together. Everybody believing in the brand, even not getting anything for it, everybody is hustling, real underground. You see how Adelmo left major sponsors, that he had years ago, to make this thing with kids who don’t give a shit, haha. The guy really believes and if a guy like that believes, there’s no way I’m not gonna believe, there’s no way we’ll not be together. You know? Chupeta (Fabio Cristiano) and Adelmo on the team, why won’t we believe? The dudes are Brazilian masters. We don’t know anything yet, we’re just messing around, haha.

oye-felipe-oliveira-interview-photo-by-fred-vegele-06(PT) Você tem vontade de tentar algo na gringa, mostrar seu skate, abrir horizontes?

Ah, tenho vontade de viajar pelo mundão, velho. Mas sem pretensões. Acho que os bagulhos que eu to envolvido são os bagulhos que eu quero pra mim. Não almejo muito mais, tá ligado? Eu to envolvido com os caras mais fodas que eu já conheci. Independente de grandes marcas, só da gente tá junto, vai dar certo e uma hora todo mundo vai tá bem, todo mundo vai tá tranquilo. Uma trip pra gringa será mais pra conhecer mesmo, tenho planejado já e acho que logo mais vai rolar. Tá cada vez mais perto. Foi muito bom eu não ter me precipitado e ido. Eu acho que não teria sido a hora certa.

Hoje tem muitos moleques com referências que afastam eles daquilo que o skate realmente proporciona. Com a experiência de vida, apesar da pouca idade, que você tem, quer deixar uma mensagem pra essa molecada?

Só temos que ficar juntos, todos. Pessoas de fora do skate tem outras visões, que você vai absorver pra dentro do skate também. Quanta gente foda a gente conhece e as vezes a gente não junta a galera pra absorver e trocar mais ideias? É isso. E andar de skate, todo mundo junto, independente do preto, branco, azul, amarelo, tá ligado? Todas as cores e todos os amores. Todo mundo junto que o bagulho vai dá certo! É só isso, andar de skate e tá junto, trocar as ideias, todas. Sem preconceitos.

(EN) Do you wish to try something in America, show your skating, open up horizons?

Oh, I feel like traveling this big world, man. But nothing pretensions. I think that the stuff I’m involved are the things I want for me. I don’t aim for much more than that, you know? I’m involved with the most amazing guys I have ever met. Regardless of big brands, only the fact that we’re together, it’s gonna work out and everyone will be ok, everyone will be cool. A trip to foreign lands will be to get to know places, I’ve been planning that already and I think it’s gonna happen soon. It’s getting closer and closer. It was good that I didn’t rush this. I think it wouldn’t have been the right time.

Nowadays there’s lots of kids with references that distance them from what skateboarding can really provide. With your life experience, even though you’re young, do you wanna leave a message to these kids?

We just have to be together, everyone. People from outside skateboarding have different views, that you will absorb into skateboarding as well. How many amazing people we meet and sometimes we don’t put people together to absorb and exchange more ideas? That’s it. And skating together, regardless of black, white, blue, yellow, you know? All colors and all kinds of love. Everyone together and things will work out! That’s just it, skating and being together, exchanging ideas, all of them. No prejudice.

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