RENTE by Hick Duarte


Texto_Davi_26x40(PT) Consolidando seu espaço no seleto círculo de fotógrafos documentais cujos trabalhos se tornam obras de arte, Hick Duarte apresentou sua nova exposição intitulada RENTE no Epicentro, em São Paulo, durante os dias 22 de Junho e 02 de Julho.

Através da estética analógica, o fotógrafo fugiu de sua bolha profissional – moda e publicidade – e revelou seu olhar sobre a juventude, eternizando o estilo de vida de nove adolescentes, com idade entre 16 e 20 anos, de diferentes regiões e subculturas da cidade de São Paulo.

(EN) Consolidating their space in the select group of documental photographers whose works became masterpieces, Hick Duarte presented his new exhibition entitled RENTE at Epicentro, in São Paulo, from June 22nd to July 2nd.

Through the analog aesthetic, the photographer escaped his professional bubble – fashion and publicity – and revealed his eye on youth, eternalizing the lifestyle of nine teenagers, ages 16 to 20, in different regions and subcultures of São Paulo.

Tecido_Theo(PT) O comportamento espontâneo dos garotos, documentados em seus habitats particulares e num shooting no terraço de um prédio, conectou o público com expressões reais – e não encenadas como acontece em projetos comerciais – por meio das 33 fotografias e do curta-metragem da RENTE – terceira exposição solo do Hick.

Para este projeto específico, o fotógrafo/artista escolheu alguns skatistas para clicar. Entre eles, Luan Argento e Davi Theobaldo – rostos novos no “game” do skate – que transpareceram as características que o skate introduz na vida dos jovens. Foi sobre os ensaios de Hick com os skatistas e a estética de sua arte que trocamos uma ideia com o próprio. Abra seus olhos e confira.

Em quais aspectos os skatistas se diferenciam dos demais jovens?

Os skatistas acabam se diferenciando dos demais jovens fotografados por terem uma noção de estilo bem característica, peculiar. O que acho interessante em meninos como o Davi e o Luan é a forma como eles reinterpretam as referências visuais gringas do universo do skate, que eles acabam tendo contato pelo Instagram, pelos vídeos, etc. Tem também uma despretensão ligada a moda que é muito natural. Me interessa essa relação mais utilitária que eles têm com a moda, de usar aquilo que é mais confortável pra andar, que lhe permita maior agilidade e flexibilidade, que proteja de alguma forma, mas que ao mesmo tempo também lhes agrade visualmente.

(EN) The spontaneous behavior of the kids, documented in their habitats and on a photoshoot at the top of a building, connected the audience with real expressions – and not the propaganda type that comes up in commercial projects – through 33 photographs and a short film from RENTE – Hick’s third solo exhibit.

For this specific project, the photographer/artist chose some skaters to click. Among them, Luan Argento and Davi Theobald – new faces in the skate game – who showed the characteristics that skateboarding introduces in the lives of young folks. It was about Hick’s photoshoots with the skaters and the aesthetic of his art that we talked about with the man himself. Open your eyes and check it out.

In which aspects the skaters were different from the other teenagers?

The skaters end up standing out from the other kids being photographed because they have a very characteristic and peculiar notion of style. What I find interesting in boys like Davi and Luan is the way they reinterpret the foreign visual references from skateboarding universe, which they end up having contact through Instagram, through videos, etc. There’s also a little unpretentiousness connected to fashion that is very natural. It interests me; the most utility relation that they have with fashion, of using what’s most comfortable to skate, that allows more agility and flexibility, that protects in some way, but at the same time pleases visually.

Entrada_Theo_26x40(PT) Por favor, fale um pouco sobre o seu trabalho com fotografia analógica e vídeo VHS. E sobre o processo de captação e edição.

Minha relação com a fotografia analógica veio a partir de uma necessidade inicial de desacelerar. Assim que me mudei pra São Paulo, em 2013, todo o meu trabalho comercial e autoral era feito em digital. Bastante tratamento, muito tempo na pós, prazos de entrega insanos, etc. Comecei a surtar e querer clicar menos, ser mais objetivo na hora da captação, precisar tratar menos, ter mais tempo pra estudar as imagens que vou entregar como finais, etc. Infelizmente a questão do tempo não mudou, trabalhando com moda e publicidade os deadlines são cada vez piores e eu sinceramente não sei quando isso vai mudar, mas o lance de pensar melhor o clique e chegar a resultados mais sensíveis e específicos em termos de textura e cor são coisas que o filme me possibilita e que me motivam a estudar cada vez mais esse formato.

Hoje, com filme, eu revelo em laboratório, mas a digitalização dos negativos eu faço em casa e aprendi que isso é fundamental pra imagem final.

A minha decisão em usar VHS para certos trabalhos é simples: normalmente as pessoas já têm uma associação mais nostálgica com essa linguagem, o que faz com que elas assistam esse tipo de vídeo com uma certa pré-disposição emocional. Parece que rola uma identificação maior, uma humanização. A imagem apresentada é mais próxima, mais acessível, menos intocável e fria como é o caso do HD.

(EN) Please, talk a little bit about your work with analog photography and VHS video. And about your capture and editing process.

My connection to analog photography came from an initial need to slow down. As soon as I moved to São Paulo, in 2013, all my commercial and authorial work was digital. A lot of treatment, a lot of that at post graduation, insane deadlines, etc. I started freak out and wanted to click less, to be more objective at the time of capture, to need less treatment, to have more time to study the images I will deliver as final, etc. Unfortunately the time issue hasn’t changed, working with fashion and advertising the deadlines are getting worst and I honestly don’t know when that is going to change, but the thing of thinking the click better and getting to more sensitive and specific results in terms of texture and color are things that film allows me to have and that motivate me to study more and more on that format.

Today, with film, I reveal in a lab, but the digitalization of negatives I do at home and I learned that is fundamental to the final image.

My decision of using VHS for some jobs is simples: normally people already have a more nostalgic association to that language, which makes them watch that kind of video with a certain emotional pre disposition. It seems like there’s more identification, a humanization. The presented image is most closes, most accessible, less untouchable and cold like in HD.

Entrada_Andre_33,5x50(PT) Fale também sobre a mensagem que você quer transmitir com essa estética imperfeita e a naturalidade das expressões dos “modelos” sendo eles mesmos, sem forçar interpretações…

Sobre as imperfeições e naturalidade, isso é algo que eu sempre procurei abordar no meu trabalho de alguma forma. Talvez pela forma como eu comecei a fotografar, que foi cobrindo shows, festas e festivais de música, eu sempre desprezei a ideia de “glamour” do mundo da moda, inclusive no começo hesitando bastante em entrar nesse mercado. Quando falo de glamour, é mais sobre a distância e a frieza que a imagem gera, os códigos explorados, o tom da história, a obsessão por marcas, pelo luxo, etc. Acho que esse pensamento ainda é muito presente em tudo o que eu faço, principalmente nos trabalhos mais autorais, onde tento falar de moda a partir de uma abordagem mais real e documental, ainda que a forma de captar possa ser lido como “dreamy”, como um escapismo.

No vídeo, que faz parte da exposição RENTE, você fez questão de incluir manobras de skate?

No vídeo talvez eu tenha incluído algumas manobras sim, mas nunca foi um foco, uma preocupação na hora de filmar. Na verdade a minha relação com o skate também não tem a ver com performance, então eu nunca me senti à vontade pra registrar manobras, nunca tive esse olhar mais técnico. Meu interesse sempre foi mais o estilo de vida, o universo visual e o quanto o skate pode falar sobre a relação de alguém com a rua, a cidade, o meio urbano.

(EN) Also talk about the message you want to send with this imperfect aesthetic and the natural expressions of the ‘models’…

About the imperfections and natural feel, that is something I have always tried to approach in my works somehow. Maybe by the way I started photographing, which was covering concerts, parties and music festivals, I always despised the idea of ‘glamour’ in the world of fashion, specially in the beginning hesitating a lot to get into the market. When I say glamour, it’s more about the distance and coldness the image reflects, the codes explored, the tone of the story, the obsession for brands, for lust, etc. I find this way of thinking still very present in everything that I do, mainly in the authorial works, where I try to talk about fashion from a more real and documental approach, even if the way of capturing may be read as ‘dreamy’, like an escapism.

On the video, which is part of the RENTE exhibit, do you make a point of including skate tricks?

On the video maybe I have included some tricks, yes, but it was never a focus, a concern at the time of filming. Actually my relation to skate also has nothing to do with performance, so I never felt ok with registering tricks, never had this more technical eye. My interest was always the lifestyle, the visual universe and how much skate can speak about the relationship of a person with the street, the city, the urban environment.

Entrada_Luan_26x40 Entrada_Luan_41,8x62,5 Entrada_Matheus_26x40 Entrada_Theo2_26x40 Extra_Matheus_70x105 Sequencia_Skate1_35x45 Top5_Matheus_70x105 Top5_Moro_70x105 Top5_Davi_70x105 Sequencia_Matheus4_45x35 Tecido_Matheus-2 Entrada_Matheus_62,5x41,8 Entrada_Jorge_62,5x41,8 Entrada_Jorge_33,5x50Photos and Film by Hick Duarte.
Article by Marlon D. Oliveira.


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