The Poem of Mike Vallely for Mark Gonzales


(PT) Por um acaso do destino, e da navegação na internet, encontrei algo no mínimo surpreendente e inspirador: um poema escrito e recitado recentemente pelo Mike Vallely, o lendário skatista, que também é músico, lutador e ator. O poema é uma homenagem a outro lendário skatista: Mark Gonzales.

(EN) By chance of fate, and internet browsing, I found something at least surprising and inspiring: a poem written and recited by Mike Vallely, the legendary skateboarder who is also a musician, wrestler and actor. The Poem is a tribute to another legendary skateboarder: Mark Gonzales.

The-Gonz-1987 -by-J.-Grant-BrittainMark Gonzales – 1987. Photography by J. Grant Brittain.

(PT) A influencia do ‘The Gonz’  no skate é inquestionável, ele é um artista expressionista, e todos sabem disso. Mas ler, ou ouvir, as palavras de outro ídolo descrevendo como o conheceu no final da década de 80, contando como iniciou a amizade deles e agradecendo por tudo, em um lindo poema, é algo que me faz acreditar profundamente que a pura essência da nossa cultura precisa resistir pela memória de tudo que aconteceu antes do skate se transformar no que é hoje.

(EN) The influence of ‘The Gonz’ on skateboarding is unquestionable, it’s an expressionist artist, and everyone knows it. But read or listen to the words of another idol describing how he met in the late-80s, telling how their friendship started and thanking him for everything in a beautiful poem, is something that makes me deeply believe that the pure essence of our culture must resist by the memory of everything that happened before skateboarding became what it is today.

Natas-Mike-Mark-by-J.-Grant-BrittainNatas Kaupas, Mike Vallely & Mark Gonzales. Photography by J. Grant Brittain.

The Poet | O Poeta 

A primeira vez que eu o vi

Era como se ele tivesse se materializado

Uma animação em movimento pelo estacionamento

Mitológico, intocável

Seus membros como pincéis

Seu shape, uma marionete com cordas

 

Ele me convidou para se juntar a ele na sessão

Ele me levou no seu ritmo

Senti a sua radiação

 

A segunda vez que o vi

Ele esculpiu um labirinto pelas calçadas

E me desafiou a segui-lo

Eu tomei o caminho entusiasmado

E onde eu perdi o rastro

Ele reapareceria e me levaria adiante

 

Me senti privilegiado por dançar atrás dele

Por estudar a sua coreografia

Por ficar na sua sombra

 

A terceira vez que eu o vi

O clima tinha mudado

Novos pedestais estavam sendo erguidos

Ele zombou da tempestade passageira com indiferença

Em uma espécie de arte performática espontânea

Ele estava sintonizado em um caminho, onde ninguém poderia seguir

 

Onde os outros se tornaram frustrados e confusos

Eu prestei muita atenção

Eu sabia que estava na presença de um gênio

 

A quarta vez que o vi

Nos tornamos amigos

Ele abriu o seu mundo para mim

Ele me deixou dar uma volta onde ninguém mais poderia pertencer

E ele acumulou uma conta de telefone de centenas de dólares às custas do meu dinheiro

E se matou de rir no sofá dos meus pais

 

Ele vivia no limite da insanidade

Me inspirando diariamente

E escrevendo o futuro com cada respiração

 

A quinta vez que eu o vi

Éramos ambos sobreviventes de algo

Ele foi gentil com minha esposa e filha

Mas os seus olhos ainda eram selvagens

E enquanto estávamos juntos em alguma nova arena

Eu simplesmente o agradecia

 

Eu o agradecia pelo o que foi

Eu o agradecia pelo o que é

Eu o agradecia pelo o que será

Ele é o poeta que escreveu a nossa obra prima

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The first time that I saw him

It was as if he had just materialized

An animation moving through the parking lot

Mythological, untouchable

His limbs like paintbrushes

His board a puppet on strings

 

He invited me to join him in a jam session

He carried me in his rhythm

I felt his radiation

 

The second time that I saw him

He carved a maze out of the concrete

And dared me to follow him

I took to the path earnestly

And where I lost the trail

He would reemerge and usher me onward

 

I felt privileged to dance behind him

To study his choreography

To linger in his shadow

 

The third time that I saw him

The weather had changed

New pedestals were being erected

He mocked the passing storm with indifference

In a sort of spontaneous performance art

He tuned way down, where no one could follow him

 

Where others became frustrated and confused

I paid close attention

I knew I was in the presence of a genius

 

The fourth time that I saw him

We became friends

He opened up his world to me

He let me hang out where no one else could belong

And he ran up a several hundred dollar phone bill on my dime

Then pissed himself laughing on my parents couch

 

He lived on the edge of insanity

Inspiring me daily

And writing the future with each breath

 

The fifth time that I saw him

We were both survivors of something

He was gracious to my wife and daughter

But his eyes were still wild

And as we stood together in some new arena

I simply thanked him

 

I thanked him for what was

I thanked him for what is

I thanked him for what will be

He’s the poet that wrote our masterpiece

Mike-portrait-by-Danny-ClinchMike Vallely portrait by Danny Clinch.

Introdution by Marlon D. Oliveira.

Poem by Mike Vallely.


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